Transportes, logística e circulação em São Paulo são temas de livro

29/07/2014

Por Diego Freire

Agência FAPESP – A Universidade Estadual Paulista (Unesp) e a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) lançaram o livro Circulação, transportes e logística no Estado de São Paulo, com resultados de pesquisas realizadas no âmbito do Projeto Temático “O mapa da indústria no início do século XXI: diferentes paradigmas para a leitura territorial da dinâmica econômica no Estado de São Paulo”, financiado pela FAPESP de 2006 a 2011.

Organizada por Márcio Rogério Silveira, professor da UFSC, a obra é resultado de trabalhos desenvolvidos por alunos de graduação e pós-graduação vinculados ao Grupo de Pesquisa em Desenvolvimento Regional e Infraestruturas (Gedri), fundado em 2005 no campus de Ourinhos da Unesp e sediado hoje na UFSC, com participação de pesquisadores de diversas outras instituições de ensino superior.

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“Trata-se de um produto que está relacionado à formação de vários cientistas com a finalidade de mostrar que os transportes, a logística e a infraestrutura podem ajudar no desenvolvimento nacional se bem planejados. É um material para a comunidade acadêmica, planejadores, técnicos e sociedade, auxiliando na formação crítica sobre a temática”, disse Silveira à Agência FAPESP.

Em comum, as pesquisas partem do princípio de que a circulação, os transportes e a logística no Estado de São Paulo participam do movimento circulatório do capital, modificando a dinâmica econômica e reestruturando territórios.

O livro apresenta o desenvolvimento dos transportes no estado e a configuração territorial resultante deles, considerando ainda o direcionamento dos fluxos econômicos e as diferenças regionais relacionadas às desigualdades territoriais dos sistemas de engenharia de transportes.

“O aumento da velocidade, da quantidade e da seletividade dos fluxos econômicos são expressões das novas demandas corporativas no território paulista. As inovações organizacionais, tecnológicas e normativas do estado são manifestações que imputam ao território novas formas, funções e processos”, explica Silveira.

Os pesquisadores também tratam do planejamento dos transportes e da logística e analisam projetos relacionados ao setor, como o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e o Trem de Alta Velocidade (TAV), além de apresentarem discussões teóricas com o objetivo de orientar pesquisas sobre a temática.

O livro é dividido em nove capítulos: Circulação, Transportes e Logística; Transporte Hidroviário Interior e Marítimo do Estado de São Paulo; Rodovias e Concessões; A Política Macroeconômica e o Transporte; O Trem de Alta Velocidade no Brasil; Estratégias Competitivas, Fluxos e Fixos no Setor de Transporte Aéreo Regional Paulista; Fluxos Aéreos por Charter e Fretamentos Domésticos de Passageiros a partir da Macrometrópole Paulista e as Consequências sobre as Infraestruturas Aeroportuárias; O Transporte Urbano de Passageiros como Reprodutor do Capital; e O Espaço Desigual e Os Impactos na Acessibilidade Frente à Lógica Capitalista de Distribuição e Consumo.

Os autores são Nelson Fernandes Felipe Júnior, Vitor Hélio Pereira de Souza, Alessandra dos Santos Julio, Bianca Sanae Nakamoto, Ana Paula Camilo Pereira, Airton Aredes, Rodrigo Giraldi Cocco, Dayana Aparecida Marques de Oliveira Cruz e Márcio Rogério Silveira.

Circulação, Transportes e Logística no Estado de São Paulo
Organizador: Márcio Rogério Silveira
Lançamento: 2014
Preço: R$ 51,00
Páginas: 250

Mais informações: Editora Appris

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Ganhar para avançar

*Por Emir Sader em 07/05/2014 em http://www.cartamaior.com.br/?/Blog/Blog-do-Emir/Ganhar-para-avancar/2/30872

Dilma deve se comprometer com as transformações estruturais que abram uma segunda etapa de governos do PT. Trata-se de ganhar para mudar as estruturas de poder.

O que se está esgotando não é o governo do PT, mas sua primeira fase. A prioridade das políticas sociais é amplamente vitoriosa, foi e continua sendo a responsável pelo imenso processo de democratização social por que passa o Brasil desde 2003. É assim que diminuímos a exclusão social, a desigualdade, a pobreza e a miséria – objetivo fundamental de um país que sempre carregou esses carmas -, mesmo em meio a uma profunda e prolongada recessão internacional.

A política externa que  prioriza os processos de integração regional e os intercâmbios Sul-Sul se confirmou como a melhor forma de inserção internacional do Brasil e de contribuição para o desenvolvimento das áreas sempre exploradas e subordinadas e de construção de um mundo multipolar. Essas políticas têm é que avançar muito, especialmente no Mercosul, na Unasul, no Banco do Sul, no Conselho Sulamericano de Defesa.

O papel ativo do Estado é o responsável por o Brasil ter resistido à crise, fortalecendo os bancos públicos, induzindo a reação ativa diante da crise e não se submetendo a ela. Precisamos, sim, é readequar o Estado para um papel ainda mais ativo na economia, ainda mais quando setores do empresariado privado resistem a participar do esforço produtivo do país e se refugiam na especulação financeira.

Assim, os caminhos escolhidos pelo governo Lula – prioridade do social, integração regional, papel ativo do Estado – são corretos e, ao contrário de ser abandonados, devem ser fortalecidos. Mas esses avanços foram obtidos explorando as linhas de menor resistência do neoliberalismo, sem alterar as estruturas de poder, que seguem vigentes, e se colocam como obstáculos para dar continuidade e aprofundar a radical transformação democrática que o Brasil precisa.

As políticas sociais podem seguir, mesmo com crescimento menor, mas tem um limite. Além de que, somado às politicas de distribuição de renda, se necessita melhorar a qualidade das políticas sociais, especialmente as de saúde, educação, transporte, segurança pública, cultura, entre outras. Esse deve ser um objetivo prioritário do próximo mandato.

O crescimento econômico requer imperiosamente a quebra da hegemonia do capital especulativo, o que supõe realizar o que a Presidenta Dilma tinha prometido para seu primeiro mandato: colocar as taxas de juros no nível internacional, para desincentivar a especulação financeira e a vinda de capitais para usufruir de taxas de juros muito altas e tributação baixa.

O Estado, por sua vez, precisa ser reformado para readequar-se aos processos de transformação que o país precisa enfrentar.  Precisa de uma reforma tributaria socialmente justa, em que quem ganha mais paga mais.

Com o Estado, o sistema político precisa sofrer transformações que tornem a representação popular mais legítima. O financiamento público de campanhas e critérios mais rigorosos para o registro de partidos são necessidades urgentes.  A convocação de uma Assembleia Constituinte autônoma é a única vida possível para essa reforma e tem que constar desde agora no calendário do próximo ano.

Se trata agora de ganhar para avançar. Não é mais possível simplesmente administrar o modelo tal qual existiu até agora, sem reformas estruturais que desbloqueiem os obstáculos que tem freado o crescimento econômico e dificultado a melhoria dos serviços públicos.

Dilma é favorita para ganhar, até mesmo no primeiro turno, mas essa vitória se dá pela acumulação de apoio popular da primeira fase dos governos, especialmente pelo sucesso das políticas sociais. Agora já não será mais possível surfar nesse impulso. Dilma tem que se comprometer, desde agora, com as transformações estruturais que abram uma segunda etapa dos governos do PT. Trata-se de ganhar para avançar, para transformar as estruturas profundas do poder, herdadas ainda da ditadura e do neoliberalismo.

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O desenvolvimento econômico e o Investimento Externo Direto

*Editorial do site Vermelho, publicado em 13/06/2014, em http://vermelho.org.br/editorial.php?id_editorial=1370&id_secao=16

Um dos grandes desafios para o Brasil crescer e desenvolver-se é aumentar a sua produtividade. Isto é feito, basicamente, pela incorporação de máquinas modernas, qualificação da mão de obra e adoção de formas mais eficientes de produzir. A riqueza produzida precisa ser melhor distribuída por meio de investimentos sociais e em infraestrutura, e da elevação da renda para quem vive de salários. A ideia básica para a consecução desse projeto é alavancar o investimento, quesito no qual os governos Lula e Dilma têm feito enormes esforços.

Tomemos como exemplo, o Investimento Externo Direto (IED). Mesmo com o cenário derrotista apresentado diuturnamente pelo noticiário econômico, em 2012 o Brasil ficou com 5% do IED global, percentual que teve pequena queda em 2013, caindo para 4,3%. O IED é fonte de financiamento voltado à produção, portanto de maior qualidade e pouco sujeito a fugas rápidas em casos de crise.

Um dos fatores que segue impulsionando esses fluxos para o Brasil é o ambiente de liquidez internacional bastante elevado. Como os investidores veem o Brasil com um potencial de crescimento econômico duradouro e superior aos dos países ricos, o resultado é a manutenção do elevado fluxo de investimento estrangeiro.

Além da pilha de dinheiro que precisa ser investido, o Brasil é tido como uma economia de grande potencial, especialmente pelo seu grande mercado consumidor. O desafio é qualificar a aplicação desse recurso. “O Investimento Estrangeiro Direto deve contribuir para uma mudança estrutural para a igualdade”, disse a secretária executiva da Comissão Econômica Para a América Latina e o Caribe (Cepal), Alicia Bárcena, ao apresentar um relatório regional sobre o IED no período 2003-2013. De acordo com ela, esse “instrumento” deve ajudar a superar o grande desafio da região, que é a diversificação de sua matriz produtiva, com inovação, conhecimento e tecnologia. Vale ressaltar este alerta da Cepal, posto que ao lado de seu impulso positivo, o IED pode, também, implicar fenômenos negativos, como é caso da desnacionalização de setores estratégicos da economia, porque é frequente o seu ingresso no país por meio da aquisição de empresas. Por outro lado, é sempre grande o risco de aumento das remessas de lucro para o exterior, debilitando o balanço de pagamentos, com efeitos negativos para a economia nacional.

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, diz que, mesmo no período de maior turbulência da crise econômica internacional, o Brasil não deixou de receber IED. “De janeiro a março (de 2014) nós já temos, anualizado em 12 meses, US$ 65 bilhões (em IED)”, declarou, pontuando que o país é um mercado “privilegiado” para esse tipo de aporte, por ter uma economia “sólida”. “Nossa solidez pode ser vista pelo volume de reservas (internacionais)”, avaliou.

O ministro destacou ainda que a dívida externa brasileira de curto prazo está entre as menores do mundo. “A participação dos estrangeiros na nossa dívida pública é pequena, em torno de 17%”, informou. De acordo com Mantega, mesmo na crise não houve redução na participação de estrangeiros na dívida brasileira, o que mostra que os estrangeiros “confiam e têm lucro na compra de títulos brasileiros”.

Uma das características mais marcantes do cenário de crise do capitalismo em plano global, que entrou em fase aguda em 2008, era a nova fase da economia dos países “emergentes”, bem distinta da histeria inaugurada nos anos 1980 pelos governos neoliberais de Margareth Thatcher (Reino Unido) e Ronald Reagan (Estados Unidos). Ali começou a pregação fundamentalista de que as “forças de mercado” substituiriam com sucesso a “vontade dos governos”. A justificativa para isso era a suposição arbitrária de que os defeitos dos governos seriam mais perversos à sociedade do que as falhas do mercado.

A essa ideia somou-se outra: a de que os países menos desenvolvidos deveriam afrouxar os controles para a circulação de capitais especulativos em suas fronteiras, tese que serviu a ideologias que veem o mundo numa fase final da história, na qual só resta o caminho da conformação do eterno conflito entre ricos e pobres, entre centro e periferia. De acordo com esse raciocínio, a causa da pobreza de muitos não seria mais os instrumentos que garantem a riqueza de poucos.

Passados seis anos desde que a crise ganhou proporções planetárias, este é, no fundo, o debate que realmente interessa ser travado para se contrapor o Brasil daqueles tempos neoliberais com o de hoje. A questão, evidentemente, comporta análises multifacetadas, mas o essencial é que o Brasil deve ter um crescimento contínuo, conceito que alguns chamam de “sustentável”. Para reduzir a pobreza, elevando a renda per capita, estudos mostram que o PIB precisa crescer entre 5% e 6% ao ano apenas para incorporar a mão de obra que está entrando anualmente no mercado de trabalho — além de absorver parte dos desempregados. Atrair investimentos é, assim, importante para desenvolver a economia no sentido apontado.

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Lições do “Ei, Dilma, vai tomar…”

 

*Por Lino Bocchini — publicado 13/06/2014 11:21, última modificação 13/06/2014 15:31 em http://www.cartacapital.com.br/politica/licoes-do-201cei-dilma-vai-tomar.201d-8226.html

“Que lições Dilma vai levar da humilhação mundial que sofreu na abertura da Copa? Continuará priorizando os que a agrediram ou quebrará alguns ovos?

Todo mundo viu. Literalmente todo O mundo. Centenas de milhões assistiram ao vivo um estádio com 62 mil pessoas gritar: “Ei, Dilma, vai tomar no cu!”. Desculpem escrever o palavrão, mas é necessário mostrar a gravidade do que ocorreu. Dilma também viu e ouviu, várias vezes. Na transmissão da Globo o coro invadiu o áudio pelo menos três vezes.

Em um evento como o desta quinta 12, vaias a mandatários são comuns, quase a praxe. O que aconteceu em São Paulo na abertura da Copa do Mundo, contudo, foi além. Não foi uma vaia, como na abertura da Copa das Confederações, em Brasília. Foi uma monumental grosseria made in Brazil. Uma falta de educação abissal e carregada de simbolismo. A plateia que pagou até R$ 990 para estar ali xingando Dilma, e os mais ricos e famosos não pagaram nada. Zero. Estavam, como por exemplo Angélica e Luciano Huck, na área VIP.

E o que Dilma achou disso, o que pensou antes de dormir?

Difícil saber como Dilma registrou essa agressão, mas espero que tire uma lição do que presenciou em Itaquera.

Não faz o menor sentido continuar governando prioritariamente para essas pessoas. E não é uma questão de “gratidão”, nada disso. Dilma é, claro, a presidenta de todos os brasileiros. Mas não se justifica o número de concessões e agrados que ela se obriga a fazer para poderosos em geral, sejam eles do agronegócio, evangélicos fundamentalistas, banqueiros ou donos de redes de televisão.

Para chegar ao poder e conseguir governar, Lula fez tais concessões  – que já existiam desde sempre, diga-se. Escolheu um grande empresário para a vice, aliou-se a partidos conservadores, discursou várias vezes para os donos do dinheiro prometendo não ameaçar seu poderio  – como de fato não o fez. Naquele momento histórico, entretanto, essa atitude era estratégica, defensável até. Não é mais.

O quadro é outro, o país é outro. Ninguém mais, a não ser os delirantes que enxergam sombras de Chávez e Fidel embaixo da cama, acha que o PT vai colocar sem-tetos em seu apartamento ou implantar uma ditadura comunista no Brasil.

No dito popular, “sem quebrar ovos não se faz uma omelete”. Alguns argumentarão: “mas no Brasil isso é impossível, as estruturas estão aí há séculos, não dá para mudar tudo de uma vez”. Concordo. Tudo é muita coisa, e de uma vez é muito rápido. Mas entre o chavismo e os Estados Unidos há muitas possibilidades. Temos que criar nosso próprio modelo. E aí não tem jeito: Dilma tem que quebrar alguns ovos. E se não dá para quebrar a caixa inteira, pelo menos alguns têm que ir para a frigideira. Por exemplo:

- Reforma política profunda, minando o próprio sistema que a faz refém de picaretas históricos por um par de minutos na TV;

- Taxação de grandes fortunas, começando pelas astronômicas e inaceitáveis heranças que perpetuam a desigualdade no país;

- Reforma agrária real, abandonando o incômodo posto de governo que menos assentou famílias;

- Democratização real da comunicação, revendo concessões públicas e alocando melhor as verbas publicitárias governamentais;

- Direitos humanos de verdade, encarando de forma contundente o racismo, a homofobia e o machismo;

E por aí vai, o número de “ovos” a ser quebrado no Brasil dava para fazer um omelete para o País todo. “Ah, mas não vai dar para fazer tudo isso”, dirão alguns. É óbvio que não será possível fazer tudo o que realmente tem de ser feito em nosso país de uma vez e ao mesmo tempo. Mas para valer a pena um segundo mandato, ou Dilma encara de frente esses desafios ou seguirá governando para estes que a xingaram de forma grotesca na abertura da Copa.

O que você escolhe, Dilma?”

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A Universidade Estadual Paulista (Unesp) e a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) lançam o livro ‘Circulação, transportes e logística’, organizado por Márcio Rogério Silveira, doutor em geografia pela Unesp de Presidente Prudente e professor da UFSC. O livro traz alguns resultados da participação do Grupo de Estudos em Desenvolvimento Regional e Infraestruturas (GEDRI), no projeto O Mapa da Indústria no Início do Século XXI: Diferentes Paradigmas para a Leitura Territorial da Dinâmica Econômica no Estado de São Paulo financiado pela Fapesp no período de 2006 a 2011. Além disso, contou com financiamento do CNPq e o apoio dos Programas de Pós-Graduação em Geografia da UFSC e da Unesp, Campus de Presidente Prudente. A publicação é da Editora Appris.

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A presente proposta – a organização de um livro que trata da circulação, dos transportes e da logística no estado de São Paulo – surge depois de longos anos desenvolvendo pesquisas sobre esses temas na graduação e na pós-graduação. Foram diversos trabalhos de graduandos, mestrandos e doutorandos (os quais, em muitos casos, são hoje professores e pesquisadores em instituições superiores de ensino), que deram origem aos trabalhos reunidos, em forma de capítulos, neste livro.

Parte-se do princípio de que a circulação, os transportes e a logística, no estado de São Paulo, como expressões de um processo de “mundialização do capital”, atuam no movimento circulatório do capital, modificando a dinâmica econômica e reestruturando seu(s) território(s).

A ampliação da circulação do capital necessita da diminuição dos custos de produção e de serviços e tal fato é relevante quando se trata da diminuição dos custos de transportes e logística. O aumento da velocidade, da quantidade e da seletividade dos fluxos econômicos são expressões das novas demandas corporativas que atuam e procuram ampliação no território paulista.

Nesse sentido, as inovações organizacionais, tecnológicas e normativas, observadas no território paulista, são manifestações corporativas bastante sólidas da quinta revolução logística que se expressam, numa relação dialética, com as formas existentes para substituir e dinamizar as estruturas econômicas endógenas, além de imputar ao território novas formas, funções e processos.

Os trabalhos expostos no livro seguem essa lógica e mostram o desenvolvimento dos transportes no Estado de São Paulo e a configuração territorial resultante deles, o direcionamento dos fluxos econômicos e as diferenças regionais organizadas pelas desigualdades territoriais dos sistemas de engenharia de transportes, o planejamento de transportes e da logística, a análise de projetos – como o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) voltado aos transportes em São Paulo e o Trem de Alta Velocidade (TAV) – além de trazer uma rica discussão teórica capaz de orientar pesquisas sobre a temática circulação, transportes e logística.

Conheça os capítulos e seus autores:

Capítulo 1
Circulação, Transportes e Logística: Bases para a Acumulação Capitalista e a Expansão Geográfica do Capital

Capítulo 2
Transporte Hidroviário Interior e Marítimo do Estado de São Paulo: Logística, Redes e Fluxos
Nelson Fernandes Felipe Junior

Capítulo 3
Rodovias e Concessões: Entraves à Circulação e à Mobilidade no Estado de São Paulo
Vitor Hélio Pereira de Souza

Capítulo 4
A Política Macroeconômica e o Transporte: Subsídios para Discussão da Indústria no Estado de São Paulo
Alessandra dos Santos Julio

Capítulo 5
O Trem de Alta Velocidade (TAV) no Brasil: Perspectivas de Desenvolvimento Regional e Interações Espaciais
Bianca Sanae Nakamoto

Capítulo 6
Estratégias Competitivas, Fluxos e Fixos no Setor de Transporte Aéreo Regional Paulista
Ana Paula Camilo Pereira

Capítulo 7
Fluxos Aéreos por Charter e Fretamentos Domésticos de Passageiros a Partir da Macrometrópole Paulista e as Consequências sobre as Infraestruturas Aeroportuárias
Airton Aredes

Capítulo 8
O Transporte Urbano de Passageiros como Reprodutor do Capital: uma Discussão para o Estado de São Paulo
Rodrigo Giraldi Cocco

Capítulo 9
O Espaço Desigual e os Impactos na Acessibilidade  Frente à Lógica Capitalista de Distribuição e Consumo
Dayana Aparecida Marques de Oliveira Cruz
Márcio Rogério Silveira

Mais informações:
http://www.editoraappris.com.br/produto/4292629/Circulacao-Transportes-e-Logistica-no-Estado-De-Sao-Paulo

Fonte: Assessoria de Comunicação e Imprensa da Unesp

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Leonardo Boff: Quem envergonhou o Brasil aqui e lá fora

Pertence à cultura popular do futebol a vaia a certos jogadores, a juízes e eventualmente a alguma autoridade presente. Insultos e xingamentos com linguagem de baixo calão que sequer crianças podem ouvir é coisa inaudita no futebol do Brasil. Foram dirigidos à mais alta autoridade do pais, à presidenta Dilma Rousseff, retraída nos fundos da arquibancada oficial.

Por Leonardo Boff*

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Esses insultos vergonhosos só podiam vir de um tipo de gente que ainda têm visibilidade do pais, “gente branquíssima e de classe A, com falta de educação e sexista”, como comentou a socióloga do Centro Feminista de Estudos, Ana Thurler.

Quem conhece um pouco a história do Brasil ou quem leu Gilberto Freyre, José Honório Rodrigues ou Sérgio Buarque de Hollanda sabe logo identificar tais grupos. São setores de nossa elite, dos mais conservadores do mundo e retardatários no processo civilizatório mundial, como costumava enfatizar Darcy Ribeiro, setores que por 500 anos ocuparam o espaço do Estado e dele se beneficiaram a mais não poder, negando direitos cidadãos para garantir privilégios corporativos. Estes grupos não conseguiram ainda se livrar da Casa Grande que a tem entranhada na cabeça e nunca esqueceram o pelourinho onde eram flagelados escravos negros. Não apenas a boca é suja; esta é suja porque sua mente é suja. São velhistas e pensam ainda dentro dos velhos paradigmas do passado, quando viviam no luxo e no consumo conspícuo como no tempo dos príncipes renascentistas.

Na linguagem dura de nosso maior historiador mulato Capistrano de Abreu, grande parte da elite sempre “capou e recapou, sangrou e ressangrou” o povo brasileiro. E continua fazendo. Sem qualquer senso de limite e por isso arrogante, pensa que pode dizer os palavrões que quiser e desrespeitar qualquer autoridade.

O que ocorreu revelou aos demais brasileiros e ao mundo que tipo de lideranças temos ainda no Brasil. Envergonharam-nos aqui e lá fora. Ignorante, sem educação e descarado não é o povo, como costumam pensar e dizer. Descarado, sem educação e ignorante é o grupo que pensa e diz isso do povo. São setores em sua grande maioria rentistas que vivem da especulação financeira e que mantêm milhões e milhões de dólares fora do país, em bancos estrangeiros ou em paraísos fiscais.

Bem disse a presidenta Dilma: “O povo não reage assim; é civilizado e extremamente generoso e educado”. Ele pode vaiar, e muito. Mas não insulta com linguagem xula e machista a uma mulher, exatamente aquela que ocupa a mais alta representação do país. Com serenidade e senso de soberania pessoal, deu a estes incivilizados uma respota de cunho pessoal: ”Suportei agressões físicas quase insuportáveis, e nada me tirou do rumo”. Referia-se às suas torturas sofridas dos agentes do Estado de terror que se havia instalado no Brasil a partir de 1968. O pronunciamento que fez posteriormente na TV mostrou que nada a tira do rumo nem a abala, porque vive de outros valores e pretende estar à altura da grandeza de nosso país.

Esse fato vergonhoso recebeu a repulsa da maioria dos analistas e dos que saíram a público para se manfiestar. Lamentável, entretanto, foi a reação dos dois candidatos a substitui-la no cargo de presidente. Praticamente, usaram as mesmas expressões, na linha dos grupos embrutecidos:”Ela colhe o que plantou”. Ou o outro, que deu a entender que Dilma fez por merecer os insultos que recebeu. Só espíritos tacanhos e faltos de senso de dignidade podiam reagir desta forma. E estes se apresentam como aqueles que querem definir os destinos do país. E logo com este espírito! Estamos fartos de lideranças medíocres, que quais galinhas continuam ciscando o chão, incapazes de erguer o voo alto das águias que merecemos e que tenham a grandeza proporcional ao tamanho de nosso país.

Um amigo de Munique que sabe bem o português, perplexo com os insultos, comentou: “Nem no tempo do nazismo se insultavam desta forma as autoridades”. É que ele talvez não saiba de que pré-história nós viemos e que tipo de setores elitistas ainda dominam e que de forma prepotente se mostram e se fazem ouvir. São eles os principais agentes que nos mantém no subdesenvolvimento social, cultural e ético. Fazem-nos passar uma vergonha que, realmente, não merecemos.

*Leonardo Boff, teólogo e escritor, é professor emérito de ética. Artigo publicado originalmente no Jornal do Brasil

 

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POR QUE A CLASSE MÉDIA TEM MEMÓRIA CURTA E PARTICIPA ATIVAMENTE DOS JOGUETES DA MÍDIA GOLPISTA E DA DIREITA CONSERVADORA?

A classe média tem memória curta. Esqueceu a tragédia que o Brasil viveu na década de 1990, com Collor e, em especial, com Fernando Henrique Cardoso do PSDB (Partido Social Democrático Brasileiro). Partido que tem uma bandeira clara: a favor do neoliberalismo, da abertura econômica escancarada, do domínio do capital financeiro, do alto endividamento externo e de uma subserviência aos interesses dos grandes grupos econômicos mundiais. Esse mesmo partido tem pouco de democrático, pois confabulam com resquícios da ditadura, como militares e grupos religiosos ultraconservadores, além da mídia golpista, com a finalidade de enfraquecer o atual governo e implantar no Brasil um modelo econômico estilo mexicano. Partido que luta contra as duras conquistas alcançadas a partir do governo Lula da Silva. A maioria da classe média negligência isso ou não era nascida ou muito jovem para se lembrar da tragédia que foi o governo FHC!

Na época de FHC as perspectivas, por exemplo, de uma pessoa comum conseguir abrir uma pequena ou média empresa era quase impossível.  Chegar à falência no primeiro ano era praticamente uma regra. Hoje uma parte considerável da classe média só existe ou mudou de status porque conseguiu empreender com apoio do Estado brasileiro. Seja pelo fomento estatal, como financiamento ou pelo que é mais importante, ou seja, o aumento da renda da população através do salário mínimo, do aumento salarial do setor estatal, do reaparelhamento do Estado, entre outros fatores que ampliaram grandemente os padrões de consumo da população brasileira. Também na época de FHC o baixo padrão de consumo da maioria da população brasileira dificultava qualquer iniciativa privada, pois os índices de desempregos eram altos, a renda era baixa, a pobreza era extremamente elevada e a classe média era bem mais reduzida. A classe média, principalmente a que existe porque rompemos com FHC e seu partido, esqueceu-se disso!

Hoje a situação econômica e social do Brasil é outra: os índices econômicos e sociais são bem mais favoráveis, com desemprego baixo, padrão de consumo da população mais elevado, índice de pobreza reduzida, engrossamento da classe média (principalmente a que saiu dos porões da pobreza).  Enfim, o Brasil de hoje é outro, bem mais sólido economicamente. E a classe média esqueceu-se disso!

O Estado brasileiro foi desmontado pela equipe do FHC e, a partir de 2003, foi reaparelhado, houve a criação de diversas universidades e institutos tecnológicos, abertura de diversos concursos no judiciário, polícia federal, IBAMA e outros órgãos públicos. Formou-se uma classe média estatal que esqueceu ou é muito jovem para se lembrar dos anos que passamos em recessão e que durante vários deles não se abriu um único concurso público, onde engenheiros, arquitetos, prestadores de serviços, professores e outros não tinham empregos. Hoje o Brasil importa trabalhadores especializados que estão desempregados na União Europeia. Essa classe média formada no serviço público não lembra mais disso!

Então, porque parece que há um grande descontentamento com o governo de Dilma Rousseff? Por que essa mesma classe média, que pode comprar ingressos tão caros nos novos estádios de futebol, vaiam a presidente Dilma? Primeiro porque a classe média é extremamente suscetível às opiniões da mídia. Mídia que apoiou a ditadura militar e flerta com a volta da mesma, que negligenciou a tortura, inclusive dos seus próprios colaboradores/jornalistas, que tem relações espúrias com o capital financeiro internacional, com dinheiro público barato, que através de um golpe midiático elegeu Fernando Collor e quando o mesmo não lhe interessava mais foi a principal incentivadora e divulgadora do seu impeachment. Segundo porque, como já alertamos, tem memória curta, pois é uma classe média composta pelos seguintes seguimentos:

1. tradicionalmente subservientes das elites conservadoras (aristocratas em decadência com as modernizações);

2. dependentes do capital financeiro especulativo e, em especial, o internacional;

3. atreladas ao comércio importador (que prefere dólar baixo e abertura econômica descontrolada);

4. da nova classe média pouco intelectualizada e que acredita que sua ascensão econômica é fruto somente do seu trabalho e esquece que o crescimento do Brasil é fruto de políticas públicas propositivas;

5. ligada ao Estado e que não consegue perceber que seu emprego foi fruto da reversão da política econômica do governo FHC pelo governo Lula.

As várias camadas da classe média se esquecem disso por que são seduzidas pela mídia golpista, por pura ignorância de não conhecer a história política e econômica do Brasil! Cabe à classe média assumir um papel importante nas transformações do país e deixar de ser joguete da mídia golpista e dos grupos conservadores e aos que não alcançarem o status de classe média, ou seja, os “pobres do Brasil”, a promoção do futuro do Brasil. Isso começa pelas eleições de 2014 e pela derrota política, econômica e moral dos que estão contra o Brasil. Chega de alimentá-los!!!

Autor:

Prof. Dr. Márcio Rogério Silveira

Universidade Federal de Santa Catarina – UFSC

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